Tuesday, March 01, 2005

Uma linda mulher com os olhos mais bonitos e mais tristes do mundo, sentada a um canto escuro e úmido de um lugar qualquer, num fim de madrugada qualquer, na porta de uma boate qualquer, esperando uma pessoa que não é qualquer pessoa...
Naquela noite ela estava de folga, resolveu sair e marcou com Gisele na porta de uma casa noturna frequentada por jovens que não se enquadram exatamente dentro dos perfis “ Mauricinho e Patricinha” da sociedade paulistana, eu marquei com dois amigos de encontrá-los lá dentro, mas infelizmente na hora de entrar bati a mão nos bolsos e vi que estava sem documentos, não pude entrar e não pude voltar pra casa, pois não tinha mais metrô àquela hora... Enquanto esperava a saída dos meus amigos chegava Fabiana, Linda, alta e com um olhar penetrante e triste, ela me pediu um cigarro e começamos a conversar, perguntei se ela já conhecia a casa ( em qualquer outra casa noturna essa pergunta soaria como um péssimo xaveco mas ali a pergunta se tornou bem pertinente ) ela disse que não, mas a Gisele, a quem ela aguardava ansiosamente, adorava o lugar... e ela falou várias coisas sobre essa Gisele, sobre o como ela era inteligente e bonita, sobre suas tatuagens e suas viagens, perguntei se elas eram namoradas e ela me respondeu com a boca cheia que a “Gi” era o amor da sua vida! Mas estavam separadas por motivos diversos, estavam trabalhando em boates distantes e não tinham tempo de se ver, “Boates?”, perguntei, ela disse sim “ faço striptease em algumas boates aqui de sampa” fiquei pasmo! Mas disfarcei até que bem, como se eu tivesse várias amigas que fazem isso... Passou meia-hora do horário marcado do seu encontro e nada da Gisele, estava frio, Fabiana mexia com as mãos e fumava muito, perguntei se não era melhor que ela entrasse para esperar e ela disse que tinha marcado lá fora e não queria descumprir sua promessa de se encontrarem na porta... continuamos falando sobre várias coisas, ela me contou que era de Minas, estava em São Paulo a menos de 3 anos e mandava dinheiro para a família, mas eles nem imaginavam o que ela fazia aqui, olhei no relógio, 1:30h da madruga, a Gisele não chega e meus amigos não saem, nesse meio tempo entrou na conversa um outro cara que aguardava sua irmã na saída, resolvi pegar uma cerveja na padaria 24hs, ficamos os três conversando, Fabiana encostou no meu ombro e dormiu, acordou sobressaltada, perguntou se não tinha entrado nenhuma menina com as característica da Gisele enquanto ela dormia, ela falava alto “ talvez ela não tenha me visto!”, foi até o segurança e pediu para anunciarem o nome de Gisele nos alto-falantes, nenhuma manifestação da procurada, voltou atordoada e se desculpou pelo transtorno, nessa hora saíram meus amigos, os apresentei, disse que íamos comer alguma coisa e perguntei se ela queria ir conosco, ela disse que não podia “ E se a Gi chega e não me vê na porta? ”...
Enquanto comia torcia para que a Gisele chegasse, torcia por aquele amor diferente, torcia para que aquela menina linda e tão castigada pela vida fosse feliz... Um dia quero estar caminhando sem rumo por uma rua qualquer e esbarrar num casal bem diferente e feliz que não vai me reconhecer, vão me pedir desculpas pelo esbarrão e vão seguir suas vidas me deixando bem feliz por aquela noite qualquer ter terminado bem!

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